Todo carro tem pelo menos um problema crônico — japonês, coreano ou europeu, não importa a marca. No Brasil, os dois pontos que mais geram dor de cabeça em carro premium são motor/combustível e suspensão, e na maioria dos casos a causa não é falha de projeto: é o ambiente brasileiro.
O motor sofre com o combustível, não com o projeto
Motores modernos, em sua maioria de injeção direta, trabalham com alta pressão de combustível — o que os torna mais sensíveis a combustível de má qualidade. Um único abastecimento com gasolina adulterada pode ser suficiente para queimar bicos injetores.
Foi o que aconteceu com um Volkswagen Tiguan 2015, motor 2.0 TSI, com cerca de 50.000 km. O cliente abasteceu num posto desconhecido, em viagem, e o carro rapidamente apresentou falha de ignição, acendeu a luz de injeção e o EPC. Resultado: dois bicos injetores queimados. Em bicos de injeção direta, diferente dos de injeção indireta, não há recuperação por limpeza em cerca de 90% dos casos — quando falham, é troca. Nesse carro, os quatro bicos foram substituídos, a um custo de R$ 300 a R$ 500 cada, variando por fornecedor.
A suspensão sofre com o asfalto, não com o carro
Carros importados costumam chegar ao Brasil sem tropicalização — a recalibração de molas e amortecedores para o asfalto irregular brasileiro, bem diferente do asfalto liso da Europa e dos EUA. Isso gera desgaste prematuro: folga de haste de amortecedor, folga em coxins, buchas gastas.
Casos observados com frequência: BMW, BYD e Nissan, todos com folga prematura de suspensão. Na BMW, especificamente, existem dois problemas crônicos distintos de folga na direção. Um é mecânico — resolve com reparo simples. O outro é elétrico: o motor da caixa de direção é acoplado por uma correia, e o desgaste dessa correia causa folga sem possibilidade de reparo — a solução, via de regra, é a troca completa da caixa.
Leitura da Royal:
Problema crônico de motor no Brasil está mais ligado à qualidade e à adulteração do combustível nacional do que a defeito de projeto do carro. Problema crônico de suspensão está ligado à falta de tropicalização de carros importados para o asfalto brasileiro — não a defeito de fabricação. É por isso que o mesmo modelo se comporta de forma completamente diferente aqui do que no país de origem.
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